O Corinthians não foi capaz de conquistar vantagem em casa para definir a vaga à final da Sul-Americana com mais tranquilidade. Na Neo Química Arena, fez bom primeiro tempo, encontrou forças para virar a partida em noite de brilho de Yuri Alberto, mas foi dominado na etapa final e empatou com o Racing por 2 a 2.
A volta está marcada para a próxima quinta, dia 31, em El Cilindro, estádio do Racing em Avellaneda, na região metropolitana de Buenos Aires, onde os dois vão decidir quem avança à decisão da Sul-Americana, marcada para o dia 23 de novembro, um sábado. Quem vencer, por qualquer placar, está classificado. Novo empate leva a definição às penalidades.
O jogo foi bom, embora não tenha sido um primor técnico dos dois lados. Mas foi acelerado, cheio de alternativas, aberto desde o início e com pinturas.
Quando cantava alto a Fiel, o Racing esfriou a torcida com Salas, que concluiu chutão do goleiro Arias em lindo estilo: com um toque por cima de Hugo Souza. Mas o gol não esfriou nem os torcedores nas arquibancadas molhadas nem o Corinthians, que melhorou com Romero em campo. O paraguaio foi escolhido para ocupar a vaga do volante Martínez, lesionado.
Os anfitriões se abriram e se entenderam no ataque, sobretudo Yuri Alberto, o protagonista da noite. Foram deles os dois gols da virada corintiana no primeiro tempo. O primeiro ele tem de dividir com Memphis Depay, astro holandês que driblou, trombou com a defesa, abriu espaço e deixou o atacante na cara do goleiro, sobre o qual o artilheiro tocou para empatar.
No segundo gol, Yuri fez tudo sozinho. Confiante, arriscou de longe potente chute que morreu no canto esquerdo. Dono de 24 gols em 2024, o maior goleador da equipe na temporada abriu os braços, extravasou e deslizou no gramado para celebrar.
O Corinthians terminou o primeiro tempo melhor e em alta, mas começou o segundo mal. Desatento, deu bastantes espaços para os argentinos jogarem – e eles jogaram. Raçudo, enérgico e vibrante, o Racing é também um time de boa técnica. Pôs a bola no gramado molhado e empatou graças à inspiração de Martirena. O lateral uruguaio deu uma caneta em Garro, driblou o segundo marcador, tabelou com Almendra e nem precisou dominar antes de bater rasteiro, cruzado e vencer Hugo Souza.
Gol genial dos argentinos, que passaram a estar à vontade na casa do rival. Trocavam passes com tranquilidade e, graças à debilidade corintiana na defesa, chegava sem dificuldade ao gol. Salas, especialmente, causou problemas aos anfitriões.
Até que os argentinos reduziram o ritmo e controlaram a partida na base da milonga. Enrolaram, atrasaram e catimbaram o quão possível foi diante de um inerte Corinthians, que, quando reagiu, confundiu rapidez com pressa, mostrou nervosismo e errou em suas tramas ofensivas. Só nos acréscimos que os anfitriões se entenderam, mas não foram eficazes.
Romero chegou atrasado e, de carrinho, isolou. Alex Santana, perto da marca do pênalti, chutou em cima do goleiro Arias, outra figura determinante para o empate em Itaquera. Antes do apito final, Memphis mirou o ângulo, só que a bola saiu. Foram três chances empilhadas e lamentadas por mais de 44 mil corintianos.



