O autobullying peculiar dos botafoguenses vigora o lamento de que o melhor Botafogo de todos os tempos existiu na época do Santos do Pelé, o que é autoexplicativo. Quase 60 anos separam os inesquecíveis Garrincha, Didi, Nilton Santos, Gérson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo do time de agora de Luiz Henrique, Almada, Barbosa e Marlon Freitas, para citar alguns do que acabam de levar a Estrela Solitária aonde nem os lendários estandartes ou ídolos modernos como Túlio Maravilha e Loco Abreu conseguiram.
“É isso que deve ser destacado, o fato de este grupo de jogadores conseguir pela primeira vez colocar o Botafogo em uma final de Libertadores da América. É um grupo de atletas que vai ficar na história do clube”, disse Arthur Jorge, logo após a derrota de 3 a 1 para o Peñarol, na quarta-feira, no Centenário, em Montevidéu no jogo de volta da semifinal. Na ida havia ocorrido um sonoro 5 a 0.
O treinador português é personagem vital para entender o atual Botafogo. Do time que inacreditavelmente perdeu o Brasileirão de 2023 resta um titular (e capitão Marlon Freitas) e reservas como Adryelson, Tchê Tchê, Eduardo e Tiquinho Soares. Além deles, Júnior Santos, até agora o artilheiro da Libertadores, mas que machucado, perdeu a titularidade. Verdade que investimentos suntuosos em Luiz Henrique, Almada, Igor Jesus trocaram a equipe de patamar. O diferencial, porém, está em quem lidera o vestiário. Não pela razão técnica, mas pelo que cerca o ‘ser Botafogo’. O lado mental.
No ano passado, por razões diferentes, cinco técnicos perderam a chance de tirar o clube da fila onde está desde o Brasileirão 1995. Luís Castro, Cláudio Caçapa, Bruno Lage, Lúcio Flávio e Tiago Nunes foram o começo, meio e fim de um grupo que sucumbiu à medida que a glória para o Glorioso se aproximava. Pois agora, a Glória Eterna está a exatos 30 dias. Um mês de espera, no entanto, será uma unidade de tempo a passar diferente para o peculiar torcedor do Botafogo.



