Contrariando promessas, dívida do Inter aumenta ano a ano


Todos os presidentes, quando assumem o comando de um clube como o Inter, prometem, no mínimo, não aumentar a dívida. Não foi diferente com Alessandro Barcellos, que passou a ocupar o cargo em janeiro de 2020. Enfrentar o alto nível de endividamento, que drena para o pagamento de juros os recursos que poderiam ser usados em investimentos no futebol, por exemplo, foi uma de suas bandeiras de campanha. Na prática, porém, isso não aconteceu. O Inter continuou se endividando, apesar da injeção de recursos extras, principalmente em 2023.

EVOLUÇÃO DA DÍVIDA DO INTER

  • 2020 R$ 599 milhões
  • 2021 R$ 621 milhões
  • 2022 R$ 691 milhões
  • 2023 R$ 703 milhões

Em resumo, a dívida total do Inter, que leva em consideração débitos fiscais e previdenciários (com o governo), com bancos, outros clubes, jogadores e fornecedores, seguiu em elevação nos últimos anos. Mesmo no ano passado, quando o clube recebeu R$ 109 milhões da Liga Forte União (LFU) da venda de 20% dos seus direitos de televisão por 50 anos, o montante aumentou, ultrapassando a barreira dos R$ 700 milhões em dezembro.

A tendência para 2024 não é diferente. O Inter fechou os primeiros quatro meses (janeiro e abril) com um déficit de R$ 98,6 milhões. Apesar de haver uma tendência natural de aumento de receitas a partir do segundo semestre, o valor é maior do que o projetado para o período. Além disso, o clube foi seriamente atingido pelas cheias e estima em cerca de R$ 35 milhões o valor necessário para as reformas do Beira-Rio e do Parque Gigante.

Além disso, o clube investiu forte na contratação de jogadores com a ambição de voltar a conquistar títulos. Falhou no Gauchão e, nas demais competições que enfrentará ao longo dos próximos meses, terá dificuldades, deixando o cenário complicado.

Para tentar amenizar o problema, o clube aposta na venda de jogadores do atual plantel, arrecadando pelo menos R$ 135 milhões até dezembro.

CONTRAPONTO: Considerando inflação, valor é estável

A dívida cresceu em valor nominal, mas, considerando a correção monetária (inflação), não se trata de um aumento considerável, defendem-se os atuais dirigentes. Tomando por base a dívida de R$ 599 milhões em 2020, último ano da gestão de Marcelo Medeiros, atualizada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), medido pelo IBGE no período, o valor chegaria a R$ 719 milhões no final de 2023 − valor obviamente maior do que os R$ 703 milhões.

Mesmo assim, o montante é alto é confronta o discurso da atual diretoria. Além disso, quando o clube aceitou a proposta do LFU, o presidente Alessandro Barcellos prometeu usar os R$ 109 milhões para o pagamento das dívidas. De acordo com informação repassada pela gestão ao Conselho Fiscal no início deste ano, isso foi feito. Mesmo assim, um grupo de mais de cem conselheiros pediu formalmente o detalhamento desses pagamentos.


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