Nesta sexta-feira completa-se uma semana de uma cena emblemática no contexto do Grêmio e 72 horas de outro cenário, senão emblemático, sintomático no cenário do Inter. As falas recentes de Renato Portaluppi, Geromel, Kannemann, Roger Machado e Alan Patrick muito mais do que estratégicas ou protocolares, revelam um comportamento cada vez mais presente na cultura dos dois clubes. Nesse caso, ausente, pois trata-se das manifestações dos dirigentes da Dupla em momentos importantes, algo impregnado da cultura desportiva no Rio Grande do Sul, mas arrefecido.
Pressionados pela tabela de classificação do Brasileirão, os dois capitães do Grêmio deram as mãos ao treinador para fazerem um apelo pelo apoio do torcedor antes do jogo contra o Vitória, domingo passado no Centenário, em Caxias do Sul. Na mesma cidade, dias antes, o presidente do Grêmio, na manhã da partida contra o Cruzeiro, atualizou a torcida então instigada diante da especulação sobre Renato ter colocado o cargo à disposição após derrota para o Juventude. Foi na mesma improvisada entrevista coletiva que Alberto Guerra aproveitou também para contar que o clube adotara uma política de menor exposição dos dirigentes aos microfones. E mais, que o Grêmio era um dos últimos a fazer uso ideia.
Pois nesse vácuo silencioso, as atualizações de jogadores machucados, estratégias de logística, interesse por jogadores e outras questões fora da esfera técnica têm sido há algum tempo abordadas na maioria das vezes pelo treinador gremista. E no caso de Renato, à medida em que de fato ele fala sobre todas as áreas, questionado ou não, reforça a ideia externa de que faz muito mais do que treinar o time.
No lado vermelho se vê há algum tempo algo semelhante na atual gestão. Desde que chegou ao Inter no ano passado, Eduardo Coudet até nos responsáveis pelo gramado do Beira-Rio (pré-enchentes), um dos mais elogiados há anos no país, interviu mandando vir da Argentina alguém de sua confiança para o tema. Durante a temporada, mais de uma vez o treinador argentino surpreendeu a reportagem com revelações sobre jogadores em vias de negociação, seja de saídas como os casos de Gabriel e De Pena ou de chegadas como o famoso “me falta Oscar”. O ex-técnico do Inter mais de uma vez lançou mão das entrevistas para justificar algumas escolhas com informações que até então o público não dispunha.
Neste final de semana Grêmio e Inter voltam a campo pelo Brasileirão. Enquanto a torcida tricolor espera uma atualização da situação de Martin Braithwaite após o anúncio do acerto com o dinamarquês na segunda-feira e nada ser dito a respeito desde então, a torcida colorada talvez tenha que “torcer” por uma arbitragem polêmica contra o Bahia para, quem sabe, o assunto Rosario Central vir a ser pauta de quem também tem responsabilidade por ele. A mudança em curso, por ora, não faz efeito no noticiário.



